AZUL É A COR MAIS QUENTE (POR LUIZ)

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Azul é a Cor Mais Quente, que no original tem um nome imenso, foi um dos filmes mais comentados desse ano (por conta de suas polêmicas, que não falarei aqui) e o vencedor da Palma de Ouro de Cannes, o que, pra mim, é mais relevante que o Oscar.

Eu já sabia que se tratava de uma obra sobre um amor lésbico, pensava ser mais um de tantos sobre o assunto, mas não. Esse é diferente. Esse foi o filme mais íntimo e real sobre um relacionamento que eu vi na vida. Digo já, de cara, que as interpretações e a direção desse filme estão sensacionais. E que é um filme que deve ser visto.

Antes de tudo, vamos resumir em poucas palavras o que é um relacionamento amoroso por definição – se, é claro, vocês me permitirem fazer tal pieguice. Como li recentemente no 9GAG.com, o amor deve ser vivido por duas pessoas cujo o interesse principal na relação é fazer o outro feliz. Isso é amor. Se você pensar mais no seu bem-estar ou deixar de se preocupar, seria egoísmo e, talvez, falso amor. Ok, é isso aí o que eu queria dizer sobre o amor. Logo menos, entenderão o porquê dessa definição marota.

A história começa com a linda menina Adèle, uma jovem ainda no Ensino Méio descobrindo a sua sexualidade. Logo no início, a sua figura não me trouxe nenhuma empatia e achei que ela era uma garota sem personalidade, em busca de um significado pra vida. E ela, realmente, era.

Sua vida muda quando conhece a pintora Emma, uma menina mais velha e um pouco estranha, com seus cabelos azuis. Ela é o oposto de Adèle, pois, enquanto a estudante admirava a arte, através dos romances que devorava, Emma construía arte, através dos quadros que pintava. E essa diferença de modo de viver elabora um desenho perfeito da dissonância entre essas duas garotas. Tanto que, logo nos primeiros encontros, Emma faz um desenho de Adèle à lápis em um caderno, e diz ser apenas um “esboço”, que não está pronto. E, na minha interpretação, era isso o que Adèle era, naquele momento, um esboço. E só ela, através da ajuda de Emma, poderia se tornar uma arte-final.

Mas o tempo passa [e passa também uma sequência longa de sexo lésbico que, à princípio, parece um colírio para os olhos, mas gera certo desconforto por tamanha intimidade]. Vemos que Emma cresce, deixa o cabelo azul para trás, mas seu semblante assume, cada vez mais, traços evidentes de uma personalidade forte, enquanto Adéle continua sem personalidade e não se aprofundando em si mesma, apenas sendo uma pessoa passiva na vida, não se revelando ao mundo.

*SPOILERS*

Adèle sempre quis ser uma dona-de-casa, embora não assumisse isso. Ela gosta da casa, de crianças e de cozinhar, mas, por outro lado, não desenvolvera bem esse aspecto e acabara por se perder em sonhos e aspirações distantes que mais pareciam divagações existenciais. Mais tarde, quando ela vê que Emma é próxima a uma amiga de trabalho bem resolvida e, o mais importante, grávida e feliz, ela sente ciúmes, se entristece e tem sentimentos confusos sobre o relacionamento, que são, na verdade, sentimentos sobre si mesma. O que pode ser um paralelo com a sexualidade primitiva humana, aonde o feminino deve ser preenchido pelo masculino, tanto no sexo, quanto na vida, pois a fêmea seria uma criatura insegura e sem personalidade, e o macho lhe trouxesse as convicções e identidade através de suas conquistas no mundo físico. É claro, Adèle representa o lado feminino e  Emma o masculino.

Pois bem. Esses sentimentos de Adèle desencadeiam uma insegurança ainda maior sobre sua vida e a faz cometer a maior burrada no relacionamento: ela fica com um cara, “duas ou três vezes”, como ela mesma diz. Ela faz isso por se sentir sozinha e traída, mas, no fundo, eu acho que ela fez por total e absoluta irresponsabilidade. Ela não se preocupara com a felicidade de Emma, tanto que ignorou-a em seus problemas de trabalho, que envolviam aquela amiga grávida, mas sem nenhuma sombra de traição, e foi se divertir ao som latino com um galã do trabalho.

Isso põe fim a história das duas e, na minha opinião, dá uma lição às pessoas que vivem um relacionamento olhando para si e dizem estar amando. Ora, amor é o contrário de egoísmo, logo, isso não seria possível. Uma traição, em si, não é o problema, é a origem dela que é. E esse filme nos traz uma brilhante visão sobre um relacionamento, com alegorias sutis e uma visão extremamente realista, que devemos tomar como aprendizado. Isso, para mim, é cinema. Entretenimento, exploração de campos existenciais e, no fim, aprendizado. Meu filme preferido de 2013.

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O HOBBIT (POR LUIZ)

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De volta outra vez. A segunda parte do Hobbit, intitulada “A Desolação de Smaug”, estreou nesse mês de dezembro com uma imagem linda e um Dragão foda pra c%#@lho e veio dividindo opiniões. Tem gente que achou uma porcaria e tem gente que achou muito bom. Mas, uma coisa, todo mundo achou: foi bem longo.

As pessoas, no ano passado, esperavam que Peter Jackson os presenteasse no Natal com uma obra-de-arte, como foi o Senhor dos Anéis. Mas essa obra-de-arte não veio. Apesar de ser um filme bom, O Hobbit 1 já dá o tom da trilogia: uma grande enrolação sobre um universo que adoramos em um filme feito sob a única mão que conseguiu o transpôr para as telonas (Peter Jackson); e assim deve continuar até o terceiro filme. 

Jackson não é lá muito bom diretor. Seus únicos filmes realmente bem-sucedidos são aqueles que tratam do universo de J. R. R. Tolkien. E só. Tem até uma adaptação do King Kong aí no meio, mas, se for ver algum filme do macacão, veja o clássico. Quiçá, o do Jeff Bridges, de 1977. E, do Peter Jackson, veja apenas Os Senhor dos Anéis e o Hobbit 1, 2 e 3. O que deverá dar, mais ou menos, 18 horas de filme. E já tá muito bom.

A fim de comparação, o segundo filme é bem diferente do primeiro. “Uma Jornada Inesperada” trazia um profundo mergulho no mundo tolkieniano, os mitos e o passado daquela tão adorável terra fantástico-medieval. Já a nova película parte para a ação (“película” para que este cronista medíocre não repita a palavra “filme”, mais uma vez) . Ela é o desenvolvimento físico de toda aquela punhetação que vimos no filme anterior. Para quem não é fã de Tolkien, é um bom (mas loooongo) entretenimento. Para quem é fã: uma dor de cabeça. Fã, aqui, aquele que leu todos os livros. Se você é fã só dos filmes, vai gostar. Relaxa.

É um filme que, às vezes, se arrasta, mas conta com todos os componentes: ação, drama, humor, romance (a parte mais odiada pelos fãs de carteirinha), dragões e o diretor correndo logo na primeira cena com uma cenoura na mão. Começou o filme e não avisaram ele que estava no enquadramento.

Bom, não farei como ele. Não vou me alongar. Assista, mas vá ao banheiro antes. E compre comida.

[série] HOUSE Of CARDS (POR LUIZ)

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Algumas vitórias são conquistadas com sangue. De quem entrar no caminho.

Recentemente, Kevin Spacey fez um discurso brilhante sobre como a produção de séries tem grandes chances de superar (em qualidade e em faturamento) a produção cinematográfica. Não só pela possibilidade de um desenvolvimento mais complexo de trama e de personagem, mas também por conta da oportunidade para um desenvolvimento artístico imenso para todos os envolvidos no trabalho. Aproveitando o ensejo do eterno Keyser Söze, vamos introduzir uma nova categoria no blog: a categoria de séries.

A primeira que vamos comentar será justamente a que fez Spacey dizer isso. House of Cards.

A série é baseada no livro de Michael Dobbs e já fora adaptada, em minissérie, na Inglaterra por Andrew Davies. Mas, nos EUA, tal produção fora recusada por diversos canais, imagino eu que o motivo seja o tema, já que a série trata, de uma maneira não-ortodoxa, das relações ilícitas e anti-democráticas que existem na Casa Branca. Mas os produtores e o criador da versão americana, Beau Willimon,  não desistiram e continuaram apostando em sua adaptação, até que, então, um canal comprou a ideia. Na verdade, não um canal, mas o maior sinal dos tempos na indústria do entretenimento: a Netflix.

Com um histórico recente de ótimas produções de séries, como Orange is the New Black, a Netflix tem sido o arrasa-quarteirões da minha geração. É claro, deixando o quarteirão todo em casa, de pijama e comendo pizza, enquanto faz uma maratona de 15 horas de uma série. E é exatamente isso o que os produtores executivos de House of Cards, Kevin Spacey e David Fincher (o queridinho diretor de Clube da Luta, Se7en, A Rede Social) defenderam enquanto apresentavam House of Cards para diversas emissoras americanas. “As pessoas matam por horas e horas de uma série que as envolva, que as faça roer as unhas e ver quantos episódios forem humanamente possíveis ver, de uma só vez.”

E, de fato, House of Cards é viciante. Ele te joga em uma teia de aranha, um intrincado esquema de influências, de favores e de manipulações arquitetadas pelo (fantástico!) protagonista, o deputado Frank Underwood (Spacey), que você não consegue mais se desprender até o último episódio.

Muito bem, vamos à trama.

Depois de ter seu prometido cargo de Secretário de Estado (praticamente, o segundo em comando nos EUA) entregue a outra pessoa, Frank se sente traído pelo presidente arquiteta um grande esquema para derrubá-lo. Com o suporte de sua esposa (um pouco já cansada da vida que vem levando) e com uma jovem jornalista nas mãos, para publicar o que bem entende, Frank tem, nas mãos, um poder mortífero. Mas, como tudo na vida, esse poder pode virar contra ele, e seu castelo de cartas (House of Cards) pode desmoronar. Quanto mais perto do topo, maior o risco de tudo vir abaixo. E ele adora esse risco.

Apesar de só os primeiros episódios serem dirigidos por Fincher, a série toda é impecável. A segunda temporada vem em 2014 e já há negociações para a terceira. Se você gosta de histórias que são baseadas em personagens, e não uma história onde os personagens apenas se baseiam nela, você gostará de House of Cads. Para mim, a melhor série de 2013.

BATMAN DARK KNIGHT RETURNS (POR LUIZ)

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Há um consenso entre os leitores de quadrinhos que diz que Batman: O Cavaleiro das Trevas é o melhor quadrinho já escrito. Assim como Watchmen, Batman: O Cavaleiro das Trevas não é só uma história barata de banca de jornal. É uma peça da literatura norte-americana que deve ser lida por todos aqueles que gostam de boas histórias.

Em 1986, a DC lança essa obra-prima de Frank Miller (em quatro revistas, no Brasil) sobre um Batman aposentado que volta a atuar contra o crime. O quadrinho não só transformou a maneira com a qual se olhava para o Batman, mas também reacendeu o hábito da compra de quadrinhos e criou uma legião de novos fãs de Batman e de HQs em geral.

A animação lançada recentemente (a primeira parte em 2012 e a segunda em 2013) é extremamente fiel ao quadrinho. Não esquecendo, é claro, que adaptações devem ser feitas quando se transpõe a mesma obra de uma mídia para outra (no caso, do papel para a tela). Porém, essas adaptações foram muito bem feitas e temos, aqui, uma coisa rara de se ver: uma adaptação bem-sucedida de uma história em quadrinhos. E isso parece exclusividade do Batman, dada a recente trilogia de Christopher Nolan, Jonathan Nolan e David S. Goyer.

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Não há muito o que revelar sobre a história porque o fator surpresa é essencial para ver essas animações. A cidade está ameaçada por aquela ultra-violência ao estilo Laranja Mecânica. Não pode ficar mais assim. Por isso, o Batman volta. Velho, mas volta. Mas o que a população pensa disso? Onde estará o Coringa? O Batman iá aguentar o tranco, irá resolver o problema?

Batman é o melhor herói que existe, ponto. Ele sempre será o rei de Gotham e dos quadrinhos. E é exatamente isso que se prova com essa história. Para adultos e crianças, o velho Batman ainda mais forte, mais velho, mais violento e, como sempre, fazendo o que a cidade precisa, mesmo não gostando dele. O cavaleiro renegado, o anti-herói. O eterno Cavaleiro das Trevas.

UMA NOITE DE CRIME (POR LUIZ)

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Antes de falar sobre o filme, quero fazer um pequeno adendo, dirigido aos responsáveis pela tradução dos títulos dos filmes:

Não inventem. Tudo bem que temos pérolas geniais para nomes em português de filmes americanos, como, por exemplo, “Apertem os Cintos, O Piloto Sumiu” (“Airplane” – “Avião”, no original), mas não inventem. Por que a versão em português do filme tem que entregar o enredo e não dizer o que o filme é? Se esse povo fosse fazer ENEM, bombava na redação por não saber colocar um título decente. Bom, já fui um pouquinho escroto ao falar disso. Vamos ao filme.

Quando o logo da Blumhouse Productions apareceu antes mesmo dos créditos iniciais, eu já sabia o que esperar. A Blumhouse é a produtora queridinha da indústria cinematográfica atual. Eles fizeram, por exemplo, Atividade Paranormal. O negócio deles é fazer um filme barato com uma qualidade próxima a de um YouTube. E a “fórmula” é ter uma ideia boa, com um desenvolvimento banal e um a cinematografia que prenda o interesse da audiência.

Esse filme segue por esse caminho, embora tenha um tom desafiador, como já visto na frase do pôster: “uma noite por ano, todos os crimes são permitidos”, ou algo do gênero. FAz a imaginação viajar, de mãos dadas com a culpa. Como já disse, a ideia é interessante.

Mas, não passa muito daí. A qualidade do som, principalmente nos tiros, chamou a minha atenção. É bem real. Mas não vai muito além disso, não.

É um filme que você pode ver com a namorada para levar uns sustinhos ou com amigos parar ri da idiotice dos protagonistas, como em todo filme de terror. Mas pode esperar sair no Netflix, que não vai perder muita coisa. Quase nada, eu diria.

 

[CLASSIC] O FILME DO DEMÔNHO – O EXORCISTA (POR LUIZ)

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Clique no pôster para ver a página do filme no Internet Movie Data Base.

Hoje foi Halloween. Nada melhor do que comemorar a data assistindo o clássico mais assustador de todos os tempos. Ou quase isso.

Fazem mais ou menos dez anos que eu fujo desse filme. A primeira vez que tive contato com ele foi na pré-adolescência, num belo dia de inocência e felicidade que fui assistir filmes na casa de uns amigos e uma menina estranha, que era fã de terror, veio com O Exorcista. Ninguém quis assistir. Eu corri daquele filme que nem o diabo foge da cruz (tu dum, ts). E anos se passaram, e vi uma cena aqui ou ali, mas nunca tive coragem de ver tudo. Pois bem. Hoje foi o dia.

Eu já tinha ficado um pouquinho bêbado mais cedo e, por mais que o efeito da tequila junto com as cervejas tenham passado há horas, a vida ainda parecia mais fácil. Logo, assistir a O Exorcista seria mais fácil. E foi. Mais ou menos.

Ok. Vamos ao filme.

Inspirado no assustador livro – que não pretendo ler – de William Peter Blatty, O Exorcista é um exemplo de cinematografia bem usada, talvez um dos melhores filmes do Willian Friedkin (não colocando na conta o Operação França I, filme que tenho em casa, mas procrastino porque sempre durmo antes da primeira hora). Voltando ao filme do demônho, a luz, as cores e todos os elementos de cena, calculados para o terror da audiência, são eficientes (como nos filmes de terror de hoje), mas são inteligentes (como já não vemos mais com tanta frequência, ultimamente).

O Exorcista é, talvez, o melhor filme de terror já feito. Com certeza, o mais icônico. Não apenas por assustar quem esteja envolvido com o filme, mas por ter uma trama interessante, metáforas sobre bem e mal, vida e morte que são bem construídas e um impressionante impacto sobre as pessoas, geração após geração. (Clique aqui e veja a reação das pessoas que assistiram ao filme na estréia, em 1973.)

Muito bem. Eu não poderia escrever esse post mambembe sem falar da “Maldição do Exorcista”. Você deve saber das histórias estranhas que aconteceram nos sets de filmagem ou com o futuro da atriz que interpretou a protagonista e etc. Não existem evidências esclarecedoras sobre a estranheza dos fatos, apenas uma coincidência ou outra, assim como a Lenda do Poltergeist e outros filmes  (clique para ler sobre lendas de maldições em filmes). Porém, o que eu posso afirmar sobre os bastidores, é que o diretor foi quase um carrasco quando rodou as cenas, em busca da perfeição. A temperatura era sempre fria demais durante as filmagens, os atores se machucaram de verdade devido a intensidade da interpretação exigida, a mulher que dublava personagem principal quando possuída pelo Pazuzu fumava toneladas de cigarros por dia para dar rouquidão à sua voz, dentre outras coisas.

Não vou dizer que foi tranquilo, mas foi um alívio perceber um roteiro bem escrito e uma história interessante, logo depois que aquele personagem morre (preciso mesmo evitar spoiler de um filme de 40 anos?) e fica tudo bem com a menina e o medo passa. Aliás, diga-se de passagem, aquela menina era um tanto obtusa e irritante. Até gostei um pouquinho que foi ela quem sofreu.

Você provavelmente já viu esse filme, por isso não me restringi a apresentá-lo ou tratá-lo como novidade. Mas se ainda não viu, pode ser uma boa pedida para aqueles dias que nos sentimos corajosos. Ou talvez, pra ver com o namorado ou a namorada e ver quem é o mais medroso da relação. É sempre importante saber isso.

Feliz Dia das Bruxas.

GRAVIDADE (POR LUIZ)

 

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Gravity é o filme do momento. Parecia ser arriscado, um filme que compreende o silêncio e a tediosidade que é, para a maioria das pessoas, o espaço sideral; sem som, sem gravidade, sem Mc Donald’s…

Mas, enfim, conseguiu ser o filme do momento.

Alfonso Cuarón, o diretor do filme, junto com Jonás Cuarón (pelo mesmo sobrenome, especulo que seja alguém da mesma família do diretor, pois não acredito em coincidências…) escreveram um roteiro interessante, com uma trama atraente sobre o que acontece com os astronautas lá em cima em um acidente, uma situação aquém do nosso mundo. (Ok, parei com esses trocadilhos).

Por mais longe que esses astronautas estivessem da Terra, o filme é muito pé no chão. É uma situação de crise a qual muitos de nós nunca vimos com tantos detalhes e tanto aprofundamento – apenas pensamos, vez ou outra, na vida aonde as pessoas ficam falando “Houston isso, Houston aquilo…”  e andando como se estivessem em uma piscina. Mas não, aqui, George Clooney é uma escada engraçada e bem encaixada para a estrela de Sandra Bullock brilhar.

Parece, a princípio, um filme que não leva a nada. Mas quando saí do cinema, estava pensando em tudo aquilo que vi e no drama da personagem principal. E, é claro, na sua transformação, que a fez aceitar a ideia de morte (que tirou preciosas coisas da vida dela) para, enfim, lutar pela sua sobrevivência. É, realmente, um bom filme.

Mas aqui vai um aviso: se não viu ainda, #corre. Esse é um filme para se ver no cinema, na telona. Não só pelas coxas da Sandra Bullock, de shortinho, voando para lá e para cá dentro da Estação Espacial Internacional – motivo esse que meu amigo alegou que era o principal para se assistir ao filme. Não – que fique claro, para a manutenção do pacifismo que é meu namoro, que eu nem liguei pra isso, tá? Muito bem. Voltando. Você deve ver esse filme no cinema pelo mergulho que se dá em algo tão vazio (espaço) aos olhos de uma personagem com dramas profundos.

Se eu tivesse que dar uma nota, seria 3,8 de 5.

Pois bem, como eu disse: #corre.

O CAVALEIRO SOLITÁRIO (POR LUIZ)

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Muita gente vem falando mal de ‘O Cavaleiro Solitário’. No Mojo Box Office, vemos que o blockbuster teve um faturamento ralo para um filme da sua categoria e com tantos elementos certeiros para que um filme dê certo. Mas eu não concordo com essa opinião que desmerece tanto um filme tão divertido. Muito bem. Vamos falar dele.

Há muito tempo, ‘Piratas do Caribe’ morreu (claro, o primeiro é um dos filmes preferidos de todo mundo e é excelente, podendo ser revisto sempre). O terceiro filme deu uma boa grana, mas o público já achou fraco. O quarto nem se fala. Em 2013, a dupla Gore Verbinski (diretor/produtor) e Jerry Bruckheimer (produtor) – que são pai e mãe da quadrilogia de Jack Sparrow – vem para o Western. E trazem, consigo, as sequências irreais, quase sempre encabeçadas por um humor precisamente desajeitado de Johnny Depp ao lado de um galã – Armie Hammer, aqui, tem uma pinta de galã maior que a de Orlando Bloom, em ‘Piratas’.

Johnny Deep continua um ótimo ator que alegra os nossos olhos quando aparece. Armie Hammer é bom, mas sua atuação nos momentos de drama é ofuscada pelos momentos de comédia, mas ele é bom. Helena Bonham Carter faz uma prostitua que é mais coadjuvante do que se imagina e William Fichtner fez um vilão do qual eu gostei bastante.

Hans Zimmer, mais uma vez, dá seu toque certeiro na trilha. Com o tema de abertura de Guilherme Tell – o eterno tema do personagem Cavaleiro Solitário – ele fez um tema grandioso. Aliás, já que estamos falando dessa música, vamos falar da última sequência de ação do filme.

Há tempos, eu sinto a necessidade de ver ação no cinema. Mas ação mesmo, com tiros, perseguições, explosões, surpresas, tensões, beijos com violinos crescendo no background e alívios cômicos no meio da bagunça. E ‘O Cavaleiro Solitário’ me deu um belo presente. Uma perseguição, envolvendo trens, de quase 10 minutos, ao som da empolgante música de Hans Zimmer.

O filme pode parecer meio fraco, em alguns momentos, mas é só lembrar que estamos falando de Disney. E não é a Disney que produziu ‘Os Vingadores’, meio escondidinha. É a Disney que produziu Peter Pan, com a assinatura do Seu Valdisnêi em cima do logo do filme.

Recentemente, o filme entrou na lista de melhores de 2013 (até então) do Tarantino, e, por isso, estão revendo as críticas nesses últimos dias. Pois é. Tempos modernos. Um filme é ignorado e sofre revisionismo no mesmo ano e que foi lançado. É muita rapidez. Pois bem. ‘O Cavaleiro Solitário’ também estaria na minha lista de melhores de 2013 (até então) se eu não tivesse preguiça de fazer uma lista.

Um filme divertido para ver com a família num domingão. Tudo aquilo que a Disney quer. E que, de vez em quando, nós tanto precisamos. E esse deve ser o próximo filme que você verá com toda a família no domingão.

Homem de Ferro 3 (por Gabriele)

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“Gênio, bilionário, playboy, filantropo”, esta frase marcou e definiu quem Tony Stark é, ou melhor, era. Em Homem de Ferro 3, vemos um Tony emocionalmente desequilibrado e porque não dizer um pouco mais humano? Isso mesmo, o playboy egocêntrico que conhecemos também tem a sua fraqueza, e ao que parece sofre de ataque de ansiedade (quem nunca né haha).

Poderíamos até culpar a mudança de diretor pelo filme raso com um ritmo ruim e um tanto quanto previsível, mas a decisão da Marvel em mostrar um Tony Stark menos superficial não foi uma decisão muito sábia, digamos assim. Dando abertura para a aparição de novos heróis durante o longa, James Rhodes e Pepper Potts, dois protegidos do Homem de Ferro acabam o protegendo em alguns momentos da trama. Mas o filme não é de todo ruim, as cenas cômicas fazem o publico rir e mantém o tom sarcástico do filme, mas deixa muito a desejar no quesito surpresa.

O grande vilão da história, o Mandarim, em minha singela opinião, é um tanto quanto forçado, e a falta de surpresa ao descobrirmos quem realmente está por trás de toda a vilania do filme decepciona. Mas vamos olhar para o lado bom, Robert Downey Jr. é Tony Stark e isso ajuda e muito a digerir o filme raso que nos é apresentado, o carisma do ator que nos fez amar a franquia, nos mantém envolvidos com o filme. E vou deixar aqui a minha indignação ao ver que ele usa um relógio de edição limitada da Dora Aventureira, invejinha.

Apesar de ser um filme que deixa a desejar, Homem de Ferro 3 consegue entreter o público de um jeito descontraído, mas é um filme fraco perto dos anteriores. Marvel deve e muito ao Robert Downey Jr. por ter feito tão bem o personagem, já que os quadrinhos não são tão amados como os filmes.

Truque de Mestre (por Luiz)

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Truque de Mestre é o exemplo típico de filme criado para a nossa época. E é muito competente nisso. Porém, é o tipo de filme que divide opiniões entre a audiência e a crítica de uma forma extrema. É claro que, quem interessa, é a audiência.

A glamurização de um crime, mais precisamente, de um assalto, não é novidade em hollywood. É uma das coisas mais antigas dos filmes americanos. Um certo nível maior de inteligência usada para a construção do roteiro desse tipo de filme também não é novidade, pois A Origem foi um grande exemplo de sucesso desse tipo de produção. No entanto, por mais fantásticas que sejam as peripécias do mundo dos sonhos tecido por Chritopher Nolan naquele filme que acaba com o peão girando, Truque de Mestre é um filme sobre espetáculos, então, os olhos saltam mais.

Ainda no nome de Christopher Nolan, vamos lembrar dos filmes do Batman e até de A Origem, que trazem essa glamurização do crime mergulhado em roteiros surpreendentes e inteligentes. No caso, Nolan subverte a maioria desses conceitos – como, por exemplo, o filme de assalto é, na verdade, um filme sobre colocar algo em um lugar e não o roubar, ou ainda, o ladrão que nos surpreendeu tanto não tinha nenhum plano nunca (Coringa). Esses são os pontos principais do cenário dos filmes sobre crime no mundo hoje.

Coincidentemente, esses filmes contam com a presença de Michael Caine e de Morgan Freeman. Atores em seu melhor estado, que dão, agora, à Truque de Mestre, um gostinho melhor em uma relação que esboça um arco interessante que se perde no meio do filme. Aliás, o único fracasso óbvio desse filme tão divertido é isso: a falta de consistência.

Esse é um filme que preza pela surpresa e pelo espetáculo, porém, as coisas ficam tão magníficas que perdem o sentido, se perdem em si mesmas e acabam sem sal. Temos um grande show visual e uma história bacana com personagens interessantes interpretados de forma competente por atuais queridinhos de hollywood, mas, infelizmente, a trama não se conecta com os personagens de forma convincente. A impressão que eu tenho é que foi um roteiro trabalhado por pouco tempo, sem maturar.

Truque de Mestre é um excelente filme, só que não. Se você quer se divertir com um filme de ação com um pouco de massa cinzenta, é um filme perfeito. Com efeitos especiais e visuais nem um pouco exagerados que são muito estimulantes para nossos olhos, é uma ótima diversão. Mas, se você é fã dos filmes inteligentes de assalto – o público que esse filme tentou atender – não vai achar um grande filme. Vai termina-lo com muitas perguntas e as surpresas não satisfarão sua sede por crimes fantásticos.