[série] HOUSE Of CARDS (POR LUIZ)

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Algumas vitórias são conquistadas com sangue. De quem entrar no caminho.

Recentemente, Kevin Spacey fez um discurso brilhante sobre como a produção de séries tem grandes chances de superar (em qualidade e em faturamento) a produção cinematográfica. Não só pela possibilidade de um desenvolvimento mais complexo de trama e de personagem, mas também por conta da oportunidade para um desenvolvimento artístico imenso para todos os envolvidos no trabalho. Aproveitando o ensejo do eterno Keyser Söze, vamos introduzir uma nova categoria no blog: a categoria de séries.

A primeira que vamos comentar será justamente a que fez Spacey dizer isso. House of Cards.

A série é baseada no livro de Michael Dobbs e já fora adaptada, em minissérie, na Inglaterra por Andrew Davies. Mas, nos EUA, tal produção fora recusada por diversos canais, imagino eu que o motivo seja o tema, já que a série trata, de uma maneira não-ortodoxa, das relações ilícitas e anti-democráticas que existem na Casa Branca. Mas os produtores e o criador da versão americana, Beau Willimon,  não desistiram e continuaram apostando em sua adaptação, até que, então, um canal comprou a ideia. Na verdade, não um canal, mas o maior sinal dos tempos na indústria do entretenimento: a Netflix.

Com um histórico recente de ótimas produções de séries, como Orange is the New Black, a Netflix tem sido o arrasa-quarteirões da minha geração. É claro, deixando o quarteirão todo em casa, de pijama e comendo pizza, enquanto faz uma maratona de 15 horas de uma série. E é exatamente isso o que os produtores executivos de House of Cards, Kevin Spacey e David Fincher (o queridinho diretor de Clube da Luta, Se7en, A Rede Social) defenderam enquanto apresentavam House of Cards para diversas emissoras americanas. “As pessoas matam por horas e horas de uma série que as envolva, que as faça roer as unhas e ver quantos episódios forem humanamente possíveis ver, de uma só vez.”

E, de fato, House of Cards é viciante. Ele te joga em uma teia de aranha, um intrincado esquema de influências, de favores e de manipulações arquitetadas pelo (fantástico!) protagonista, o deputado Frank Underwood (Spacey), que você não consegue mais se desprender até o último episódio.

Muito bem, vamos à trama.

Depois de ter seu prometido cargo de Secretário de Estado (praticamente, o segundo em comando nos EUA) entregue a outra pessoa, Frank se sente traído pelo presidente arquiteta um grande esquema para derrubá-lo. Com o suporte de sua esposa (um pouco já cansada da vida que vem levando) e com uma jovem jornalista nas mãos, para publicar o que bem entende, Frank tem, nas mãos, um poder mortífero. Mas, como tudo na vida, esse poder pode virar contra ele, e seu castelo de cartas (House of Cards) pode desmoronar. Quanto mais perto do topo, maior o risco de tudo vir abaixo. E ele adora esse risco.

Apesar de só os primeiros episódios serem dirigidos por Fincher, a série toda é impecável. A segunda temporada vem em 2014 e já há negociações para a terceira. Se você gosta de histórias que são baseadas em personagens, e não uma história onde os personagens apenas se baseiam nela, você gostará de House of Cads. Para mim, a melhor série de 2013.

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